Pular para o conteúdo principal

Marmita dos Namorados







Pr. Odailson da Fonseca

Casar até que é fácil. Difícil é permanecer namorando.
É sempre bom trocar os contos das fadas e cair na real em parceria com alguém capaz de amar a despeito das chatices ranzinzas. 

Só tem um problema: o tempo passa e aquele jantar à luz de velas pode virar uma
marmita requentada. E pra escapar desta furada?
A verdade é que
 prometer amar alguém por toda a sua vida é fácil, o mais difícil é amar alguém a cada dia de toda a sua vida. Uma coisa é idealizar o romance perfeito, outra bem diferente é saltar da imaginação para a manutenção da realidade prática. Sonhos a dois são como a São Silvestre – todos largam entusiasmados, mas o percurso prova a resistência de quem tem fibra pra continuar.
Outro dia ouvi uma ilustração patética sobre casamento. Os noivos estavam de lua-de-mel e, após arrumarem os presentes na casa nova, finalmente viajaram para um lugar mais distante e romântico. Ao saírem do aeroporto, pegaram um taxi e durante o trajeto trocaram sonhos e carinhos. Chegando ao estacionamento do hotel a noiva encosta sua cabeça nos ombros do noivo e sussurra gentilmente: “Amor, vamos descer fingindo que já temos cinco anos de casados?” Ele respondeu, “tem certeza?” Ela acenou positivamente com a cabeça. Foi quando o homem pulou do carro, rapidamente, e lá do lobby do hotel berrou, “mulher, anda rápido! traga já as malas!”

Que tal? Senso de humor à parte, sob a superfície desta anedota tem uma verdade triste: com o tempo passando muitos casais vêm acomodando-se às marmitas. 

Troque o binóculo pelo espelho. É sempre mais fácil vasculhar defeitos no outro do que reconhecer imperfeições em nós mesmos. Porém, isso só produz atrito, injustiça e antipatia. Ninguém gosta de ser cobrado por quem também não pagou suas dívidas. Já pensou que ser um ditador tirano não está tão longe da realidade matrimonial? É só exigir do cônjuge o que nem você está dando conta também.  Cadê a Lua do namoro? Antes de se frustrar com a quebra do encanto, me responda: você é o mesmo conquistador romântico de antes? Mulheres não mudam nunca – sempre continuarão hipnotizadas por um elogio levantando sua auto-estima. Não espere mais do que uma Fiona se você se acomodou feito Shrek! Devolva a ela o príncipe Don Juan de antes e receba em troca aquela diva se jogando em seus braços. 
Provoque o gênio da lâmpada. Lembra do Aladim esfregando a lâmpada pra libertar o gênio? Isso mesmo. Tem três expressões básicas que funcionam igualmente para despertar a mulher que você sempre quis: muito obrigado, por favor e desculpe. Ser gentil jamais cairá de moda. Cafonas são aqueles que reservam a elegância só pra hora de impressionar o chefe. Casamento é uma busca genuína por reinventar o respeito mútuo e a educação. Seja sempre cavalheiro.
Quebre os paradigmas. Homem lava louça, sim – mulher lava o carro também. Amigos topam tudo, então porque no casamento economizamos o desconhecido? Planejem saídas alternativas, invertam a ordem das coisas, descubram lugares diferentes e curtam os imprevistos da nova vida a três (ou quatro, ou cinco…). Não deixem que uma criança a bordo estrague as novas aventuras acompanhadas das eternas músicas preferidas no carro. Viver fascina! Se tudo começou em casal, não deixem perder a amizade particular que originou tudo. Filhos não podem roubar um namoro.
Tragam o Deus do altar para o quarto. O problema é que esquecemos isto. “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmos 127:1). Se Deus realmente é amor, tudo que amamos carrega a presença dEle. Não jogue fora a marmita – peça ajuda pra Quem criou a própria Lua.  Acredito que dá pra ser feliz – em família.
Ah! e o casal de pombinhos fingindo cinco anos de casamento? Décadas depois ainda brincavam, mas fingindo estar em lua-de-mel. E com todas as malas, obviamente, ainda sendo carregadas…

… por ele.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Poema: Quem é Jesus Cristo?

Para o cego, é a luz. Para o faminto, é o pão. Para o sedento, é a fonte de água viva. Para o morto, é a vida. Para o enfermo, é a cura. Para o prisioneiro, é a liberdade. Para o solitário, é o companheiro. Para o viajante, é o caminho. Para o sábio, é a sabedoria. Para a medicina, é o médico dos médicos. Para o réu, é o advogado. Para o advogado, é o Juiz. Para o Juiz, é a justiça. Para o cansado, é o alívio. Para o pedreiro, é a pedra principal. Para o jardineiro, é a rosa de Sharon. Para o triste, é a alegria. Para o leitor, é a palavra. Para o pobre, é o tesouro. Para o devedor, é o perdão. Para mim Ele é TUDO!!!

Famílias reconstituídas: Qual é o papel de padrasto e madrasta?

por Ceres Araujo Padrasto e madrasta    - "Com frequência, eles terão mais objetividade que os pais para entenderem o que está ocorrendo com a criança ou com o jovem, porém, não cabe a eles a intervenção direta. Se a criança ou o jovem tem pai e mãe, cabe sempre a eles a atitude educativa direta. A intervenção de padrasto ou madrasta precisa ser indireta, via o cônjuge" Os contos de fada são terríveis em relação aos padrastos e madrastas. Interpretados literalmente falam da perda dos pais e sua substituição por pessoas, em geral, más. Madrasta é uma palavra que vem de mater, madre, mesma forma que a palavra mãe e não deve ser associada à má, como muitos, errônea e preconceituosamente consideram.   Simbolicamente, porém, outra interpretação merece ser dada: padrastos e madrastas podem representar um polo oposto e importante das relações pais-filhos. A criança precisa de amor, carinho, aconchego, proteção, esse é um polo, mas precisa também do estímulo para o cresciment...

História do Inhoquinho!

Numa cidade de interior, existia um rapaz chamado Inhoquinho, esse rapaz era tão folgado que vivia na rede dormindo e as pessoas dessa cidade o alimentavam e davam ate banho nele. Um dia o prefeito novo se revoltou e decidiu fazer uma assembleia com toda a população que decidiram enterrar o Inhoquinho vivo. Prepararam um enterro, colocaram o Inhoquinho dentro do caixão e estavam indo para o cemitério. No meio do caminho encontraram um rico fazendeiro, que por curiosidade perguntou quem havia morrido, o prefeito disse que era o Inhoquinho, o fazendeiro se revoltou e disse porque enterrar ele? ele é uma pessoa tão boa, não faz nada, então o prefeito disse e por ele não fazer nada que estamos enterrando ele vivo. Então o rico fazendeiro com compaixão do Inhoquinho foi falar com ele, e disse: Inhoquinho, eu cuido de você, tenho um monte de empregados que te darão comida na boca, banho, ficara deitado na rede o tempo todo, mas com uma condicao, enquanto balança na rede devera jogar só es...