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À espera de um milagre...

Às vezes só um milagre de Deus pode livrar a gente do que está pra acontecer. Tudo parece dizer que as coisas estão perdidas, que não há mais o que fazer, e que só resta administrar a aflição e esperar o fim. Porém, me recuso a pensar assim. Por mais difícil que seja o problema, eu não me permito crer no fim - qualquer que seja ele. Já passei por vários momentos em que o meu fim era uma certeza pra muitos, e curiosamente ainda estou aqui pra escrever mais esse artigo.

Viver não é brincadeira. A cada dia é preciso passar por uma luta quase desumana pra se conseguir o pão e o vinho na mesa, e também pra se chegar à noite, não apenas vivo, mas com esperança e alegria pra viver o dia seguinte.

Basta estar vivo pra saber que sempre há um dia em que a provisão parece acabar. Sempre há um dia em que aqueles que você pensava serem amigos são encontrados às gargalhadas com os seus inimigos. Na vida há sempre dias de choro diante das perdas, de solidão e abandono, de frustração ou perplexidade...

É quando surge o Salvador. Ele sempre se revela nessas horas e, assim como fez a Davi, também me tira do "poço de perdição, do tremedal de lama" (Salmo 40:2) e ainda "coloca os meus pés sobre uma rocha e me firma os passos" (Salmo 40:2). A Bíblia me ensina que posso confiar Nele, por mais perdida que pareça a situação.

Ele é quem alterou o momento "irreversível" de Daniel - que um dia pensou ser o fim de tudo, ao ser jogado numa longa e apagada noite entre os leões. Ele é quem fez o inimaginável pra salvar os seus filhos: abriu o mar e os resgatou de seus inimigos, quando tudo estava perdido e sem qualquer opção pra escapar da morte. Eu espero, sim, um milagre do Deus que inesperadamente surge caminhando sobre o mar, numa noite de desespero pra doze homens, que na iminência do naufrágio gritavam de aflição. Naquela noite houve salvação pra eles.

Por isso, sei que o milagre acontece quando menos se espera. Quando penso que tudo está perdido, é aí que Deus aparece em glória e me diz que chegou a hora de eu também deixar o barco.

Ponho o pé do lado de fora e confio.

Dá licença, Pedro? Sua fraqueza revelou a minha; mas também me ensinou que eu posso andar sobre as águas.


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